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"Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte disso, tenho em mim todos os sonhos do mundo." Fernando Pessoa

Vamos falar de amor?
O Paulo tinha apenas quatro anos quando foi deixado no orfanato. Um lindo rapaz de olhos verdes e cabelo castanho. Um doce de criança, sempre sorridente. Mas a mãe decidiu que não o queria mais e abandonou-o à sua sorte. Durante dez dias o Paulo chorou compulsivamente, perguntando sempre pela mãe. Pobre criança, não conseguia perceber o que lhe estava a acontecer. Quem eram aquelas crianças todas à sua volta, quem eram aquelas mulheres simpáticas, mas sem tempo para ele. Os dias foram passando e a alegria natural dele foi-se desvanecendo. Até o verde dos seus olhos não era igual. Os olhos eram baços, espelhavam tristeza. Ele tornou-se numa criança solitária. Pouco brincava e quase nunca sorria. Até que um dia uma senhora foi visitar o lar, e resolveu brincar com ele. A Sofia tinha 30 anos e o desejo de ser mãe. Encantou-se pelo Paulo e começou a ir visita-lo todas as semanas. Aos poucos foi ganhando a confiança dele e, de vez em quando, conseguia arrancar-lhe um sorriso. Foi longa a espera, mas finalmente a Sofia conseguiu adotar o pequeno Paulo, agora com 7 anos. Quando chegou à sua nova casa, conheceu a Laura, a sua outra mãe. Tinha um quarto inteirinho só para ele, cheio de brinquedos que ele nunca tinha visto. Rasgou um sorriso e, ainda a medo, começou a pintar naquela mesinha amarela que tinham deixado para ele. A Sofia e a Laura estavam radiantes e fizeram de tudo para que o pequeno Paulo se sentisse em casa. Aos poucos foram-se conhecendo e o amor delas por ele foi crescendo cada vez mais. E esse amor devolveu-lhe o brilho ao olhar, o sorriso aos lábios e a alegria própria de uma criança. Hoje são os três muitos felizes. O Paulo vai entrar para o secundário e diz de peito cheio que tem as melhores mães do mundo. Hoje são a família mais unida e a mais feliz. E isto é amor.
Vamos falar de amor. Amor que é amor. Amor que não importa a sua forma, não importa o género, a religião, a idade. Amor que apenas pede amor em troca. Amor que é amor. Porque amor é amar.

Vamos falar de amor?
Eles conheceram-se por acaso. O destino quis que os seus olhares se cruzassem naquele fim de tarde de Verão. E foi amor à primeira vista. Sim, foi mesmo. Não resistiram a sorrir e a trocar um olá envergonhado. Sentaram-se no banco de jardim debaixo da árvore mais bonita. Até nisso o destino deu uma mãozinha. A conversa fluiu tão rapidamente, como se se conhecessem há anos. A troca de olhares e sorrisos era constante, e as horas passaram sem darem por isso. E no dia seguinte, à mesma hora, lá estavam eles de novo. E no dia a seguir, e no outro outra vez. Encontram-se todos os dias, à mesma hora, debaixo da mesma árvore, durante dois meses. E já não havia nada a fazer. Estavam rendidos um pelo outro. Uma paixão avassaladora que surgiu do nada e que se transformou em tudo. Hoje são felizes. Muito felizes. E todos os anos vão passear naquele parque, e sentam-se naquele banco de jardim, debaixo daquela árvore. Todos os aniversários da relação são festejados assim. Selam a promessa do “para sempre” com um beijo no local em que se conheceram, no local onde se apaixonaram. Hoje o Miguel e o Luís são felizes. Muito felizes. Isto é amor.
Vamos falar de amor. Amor que é amor. Amor que não importa a sua forma, não importa o género, a religião, a idade. Amor que apenas pede amor em troca. Amor que é amor. Porque amor é amar.
Hoje celebra-se o Dia Internacional de Luta contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia. Tal como a campanha promovida pela CIG diz e muito bem, "Não são direitos LGBTI, são direitos humanos".