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"Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte disso, tenho em mim todos os sonhos do mundo." Fernando Pessoa

"Toda a gente chega onde é esperada"
(José Saramago)
Sempre acreditei que cada um de nós tem um destino e, de uma maneira ou de outra, todos acabamos por lá chegar. Talvez não faça parte do meu destino viver um grande amor. Eu, uma amante de poesia, amante de grandes histórias de amor, eu que sempre sonhei viver cenas dos meus filmes preferidos. Talvez eu, mesmo sendo uma romântica incurável, não esteja destinada a viver um grande amor digno de um livro de Nicholas Sparks. E tenho que me habituar à ideia.
Algumas pessoas nascem para ser artistas, outras para serem mães ou pais, outras para amarem, outras nascem (infelizmente) para sofrerem. E outras, tal como eu, nascem para os outros. Acredito que o meu destino seja continuar a lamber as feridas dos outros, limpar-lhes as lágrimas e chorar as minhas sozinha. Talvez seja o meu destino segurar o mundo dos outros, enquanto o meu está em ruínas. Talvez seja assim. Talvez eu tenha nascido para ajudar os outros. Resolver os seus problemas, segurar-lhes as mãos, dar-lhes força e apoio, fazendo-as sentir que não estão sozinhas. E à noite, na solidão do meu quarto, sentir isso mesmo: solidão.
Claro que existem (infelizmente) milhares de pessoas piores do que eu. Felizmente eu nunca passei fome, nunca sofri de maus-tratos, não vivo num país em guerra. Mas já tive a minha quota-parte de sofrimento. E depois das rasteiras da vida, achava que merecia viver um grande amor. Mas o amor não é uma questão de merecimento. O amor é uma questão de sorte. Sorte em encontrar a pessoa certa, no lugar certo, no tempo certo. Grandes amores se perderam apenas por não se encontrarem no tempo certo.
Acredito que cada um de nós tenha uma alma gémea, um amor de uma vida. Mas acredito também que muitos já a encontraram e nem deram por isso. Não era o lugar, não era o tempo. E, por força da corrente da vida, foram cada um para seu lado. Vivendo outros amores, mas nunca o grande amor de uma vida. E é por isso que acredito que o amor é uma questão de sorte. Talvez eu já tenha encontrado o amor da minha vida, quem sabe. Mas se o encontrei, deixei-o ir. Talvez por não ser o lugar, talvez por não ser a hora.
O amor é uma questão de sorte. E eu nunca fui sortuda.
(Talvez um dia a sorte possa mudar.)
PS: Este texto foi escrito há mais de cinco anos. E...adivinhem?!
A minha sorte mudou! ![]()