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Confia

por Pequenos Pedaços de Sonho, em 18.06.20

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 Confia. Confia no destino, na sorte, em Deus, em e no que tu quiseres. Mas confia. Confia e acredita que tudo vai correr bem. Cliché? Talvez. Mas tens que confiar. Tens que acreditar.

 Mantém esse verde esperança no teu olhar, mesmo quando tudo está escuro, mesmo quando tudo parece perdido. Esse verde esperança que, passo a passo, pode ajudar a colorir o teu mundo.

 Eu sei que não é fácil. Não te enganes, eu sei exatamente o que sentes quando o chão treme e o mundo parece um lugar demasiado grande e demasiado escuro. Ao contrário do que pensas, não carregas todo o peso do mundo sozinha nas tuas costas. Liberta o peso que não é teu. Deixa para trás tudo aquilo que não depende de ti mudar, que não depende de ti concretizar.

 Quando libertares esse peso, quando te concentrares em ti e apenas nos problemas que dependem apenas de ti, vais ver que o mundo já não vai parecer um lugar assim tão complicado. Olha para dentro de ti e procura a esperança e a força para continuar a lutar. Mas também aprende a desistir. Lutar por algo em vão, vai tirar-te tempo e forças para aproveitar outras coisas na vida. Encontra o teu balanço, o teu tempo, o teu lugar, as tuas pessoas. E lembra-te, às vezes só temos que confiar. Confiar que o destino vá pôr tudo no lugar. Heart.png

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Publicado às 15:44


Quando era criança

por Pequenos Pedaços de Sonho, em 01.06.20

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Quando era criança queria ser veterinária. Mas depois descobri que tenho medo de animais grandes.

Quando era criança queria ser astronauta. Mas depois descobri que tenho medo de alturas.

Quando era criança queria ser pintora. Mas depois descobri que as tintas não chegavam para pintar a minha tela.

Quando era criança queria descobrir o mundo. Mas depois descobri que o mundo não me chegava.

Quando era criança queria mudar de lugar. Mas depois descobri que o mundo é redondo e leva-nos sempre ao mesmo lugar.

Quando era criança queria crescer. Mas depois descobri que queria ser de novo criança.

 

Feliz Dia Mundial da Criança Heart.png

Quem dera que todas as crianças tivessem os mesmos direitos, as mesmas oportunidades e o mesmo amor!

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Publicado às 21:00


Vamos falar de amor? #2

por Pequenos Pedaços de Sonho, em 27.05.20

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Vamos falar de amor?

  O Paulo tinha apenas quatro anos quando foi deixado no orfanato. Um lindo rapaz de olhos verdes e cabelo castanho. Um doce de criança, sempre sorridente. Mas a mãe decidiu que não o queria mais e abandonou-o à sua sorte. Durante dez dias o Paulo chorou compulsivamente, perguntando sempre pela mãe. Pobre criança, não conseguia perceber o que lhe estava a acontecer. Quem eram aquelas crianças todas à sua volta, quem eram aquelas mulheres simpáticas, mas sem tempo para ele. Os dias foram passando e a alegria natural dele foi-se desvanecendo. Até o verde dos seus olhos não era igual. Os olhos eram baços, espelhavam tristeza. Ele tornou-se numa criança solitária. Pouco brincava e quase nunca sorria. Até que um dia uma senhora foi visitar o lar, e resolveu brincar com ele. A Sofia tinha 30 anos e o desejo de ser mãe. Encantou-se pelo Paulo e começou a ir visita-lo todas as semanas. Aos poucos foi ganhando a confiança dele e, de vez em quando, conseguia arrancar-lhe um sorriso. Foi longa a espera, mas finalmente a Sofia conseguiu adotar o pequeno Paulo, agora com 7 anos. Quando chegou à sua nova casa, conheceu a Laura, a sua outra mãe. Tinha um quarto inteirinho só para ele, cheio de brinquedos que ele nunca tinha visto. Rasgou um sorriso e, ainda a medo, começou a pintar naquela mesinha amarela que tinham deixado para ele. A Sofia e a Laura estavam radiantes e fizeram de tudo para que o pequeno Paulo se sentisse em casa. Aos poucos foram-se conhecendo e o amor delas por ele foi crescendo cada vez mais. E esse amor devolveu-lhe o brilho ao olhar, o sorriso aos lábios e a alegria própria de uma criança. Hoje são os três muitos felizes. O Paulo vai entrar para o secundário e diz de peito cheio que tem as melhores mães do mundo. Hoje são a família mais unida e a mais feliz. E isto é amor.

  Vamos falar de amor. Amor que é amor. Amor que não importa a sua forma, não importa o género, a religião, a idade. Amor que apenas pede amor em troca. Amor que é amor. Porque amor é amar.

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Publicado às 16:28


Uma questão de sorte

por Pequenos Pedaços de Sonho, em 21.05.20

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"Toda a gente chega onde é esperada"

(José Saramago)

  Sempre acreditei que cada um de nós tem um destino e, de uma maneira ou de outra, todos acabamos por lá chegar. Talvez não faça parte do meu destino viver um grande amor. Eu, uma amante de poesia, amante de grandes histórias de amor, eu que sempre sonhei viver cenas dos meus filmes preferidos. Talvez eu, mesmo sendo uma romântica incurável, não esteja destinada a viver um grande amor digno de um livro de Nicholas Sparks. E tenho que me habituar à ideia.

  Algumas pessoas nascem para ser artistas, outras para serem mães ou pais, outras para amarem, outras nascem (infelizmente) para sofrerem. E outras, tal como eu, nascem para os outros. Acredito que o meu destino seja continuar a lamber as feridas dos outros, limpar-lhes as lágrimas e chorar as minhas sozinha. Talvez seja o meu destino segurar o mundo dos outros, enquanto o meu está em ruínas. Talvez seja assim. Talvez eu tenha nascido para ajudar os outros. Resolver os seus problemas, segurar-lhes as mãos, dar-lhes força e apoio, fazendo-as sentir que não estão sozinhas. E à noite, na solidão do meu quarto, sentir isso mesmo: solidão.

  Claro que existem (infelizmente) milhares de pessoas piores do que eu. Felizmente eu nunca passei fome, nunca sofri de maus-tratos, não vivo num país em guerra. Mas já tive a minha quota-parte de sofrimento. E depois das rasteiras da vida, achava que merecia viver um grande amor. Mas o amor não é uma questão de merecimento. O amor é uma questão de sorte. Sorte em encontrar a pessoa certa, no lugar certo, no tempo certo. Grandes amores se perderam apenas por não se encontrarem no tempo certo.

  Acredito que cada um de nós tenha uma alma gémea, um amor de uma vida. Mas acredito também que muitos já a encontraram e nem deram por isso. Não era o lugar, não era o tempo. E, por força da corrente da vida, foram cada um para seu lado. Vivendo outros amores, mas nunca o grande amor de uma vida. E é por isso que acredito que o amor é uma questão de sorte. Talvez eu já tenha encontrado o amor da minha vida, quem sabe. Mas se o encontrei, deixei-o ir. Talvez por não ser o lugar, talvez por não ser a hora.

  O amor é uma questão de sorte. E eu nunca fui sortuda. 

  (Talvez um dia a sorte possa mudar.)

 

PS: Este texto foi escrito há mais de cinco anos. E...adivinhem?! 

A minha sorte mudou! Heart.png

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Publicado às 16:23


Metades Iguais

por Pequenos Pedaços de Sonho, em 19.05.20

 

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  Eles são duas metades iguais. Metades da mesma laranja. Metades de uma laranja podre. São os dois confusos, atrapalhados e têm uma tendência para estragar tudo de bom que lhes acontece.

  A vida fê-los esbarrar um no outro diversas vezes. Mas durante muito tempo não souberam agarrar a oportunidade. É como se soubessem que se iam voltar a encontrar. E seguiam vidas separadas. Ele, com o seu terrível medo de compromissos, passava as noites num qualquer bar. Desfilava com as suas novas conquistas. Conquistas que afastava à medida que elas se envolviam. Não queria emoções. Não queria sentimentos. E rodeado de mulheres, era a pessoa mais solitária do mundo. Ela, após várias desilusões, tinha desacreditado no amor. Queria estar sozinha. Queria e pensava que podia estar sozinha. Claro que também teve a companhia noturna de alguns homens. Afinal, a solidão é muito mais insuportável à noite.

  Voltaram a encontrar-se, três anos após a última vez. Falaram, riram, abraçaram-se e beijaram-se. Havia uma espécie de linha que os unia, que os entrelaçava e os obrigava a ficar frente a frente. Não sabiam se era apenas atração ou desejo, mas nunca conseguiam resistir-se. E, como de todas as outras vezes, passaram a noite juntos. Ambos sabiam o que ia acontecer na manhã a seguir. Tomariam o pequeno-almoço juntos e ele ia embora com a promessa perdida de ligar um dia destes. Mas nada disso importava. Tudo aquilo era mais forte do que eles. E que mal tem uma paixão assim?

  A manhã veio e com ela a realidade. Ele acordou mais cedo. Olhou-a com ternura e pensou em partir sem despedidas. Mas o corpo não respondia ao pensamento e voltou a abraça-la. Ela teve vontade de abrir os olhos, mas manteve-se imóvel com a esperança que o tempo parasse. Nenhum dos dois se sentia assim com mais ninguém.

  - E se desta vez eu ficar para almoçar? – disse ele enquanto bebia o café que ela lhe tinha feito.

  - E se ficasses para jantar? – respondeu ela com um sorriso amedrontado.

  - E se…e se desta vez eu ficasse para sempre?

  Abraçaram-se, beijaram-se, prometeram-se. Talvez agora seja o tempo certo.

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Publicado às 11:39


Matemática dos Sentidos

por Pequenos Pedaços de Sonho, em 18.05.20

 

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  Hoje dediquei-me à matemática. Fiz todas as somas subtraídas das raízes quadradas dos quadrados perfeitos de todos os nossos encontros. E a solução foi a mesma em todas as contas: um número irracional que multiplicado por dois faz todo o sentido. E a divisão destes sentimentos é a consolação de duas almas que, por fim, se encontraram.

  Quando tento racionalizar o que sinto, vejo com clareza que temos um raio de simetria. A escala do meu sorriso quando te vejo é demasiado alta para estimar. Peguei na calculadora e tentei descobrir qual a variação da função dos nossos sentidos. A derivada dos sonhos que podemos construir em conjunto. O nosso denominador comum que pode reduzir a zero o ângulo agudo que nos separa. E ainda que juntos formemos um complicado e difícil algoritmo, carregado de números fatoriais, a fórmula será sempre maior do que zero. A probabilidade da nossa soma subtraída será sempre melhor do que a multiplicação de todos os meus quadrados imperfeitos.

  Porque bem-feitas as contas, um e um são dois. Mas eu e tu podemos transformar-nos em milhares de momentos dignos de contagem.

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Publicado às 20:58


Vamos falar de amor?

por Pequenos Pedaços de Sonho, em 17.05.20

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Vamos falar de amor?

  Eles conheceram-se por acaso. O destino quis que os seus olhares se cruzassem naquele fim de tarde de Verão. E foi amor à primeira vista. Sim, foi mesmo. Não resistiram a sorrir e a trocar um olá envergonhado. Sentaram-se no banco de jardim debaixo da árvore mais bonita. Até nisso o destino deu uma mãozinha. A conversa fluiu tão rapidamente, como se se conhecessem há anos. A troca de olhares e sorrisos era constante, e as horas passaram sem darem por isso. E no dia seguinte, à mesma hora, lá estavam eles de novo. E no dia a seguir, e no outro outra vez. Encontram-se todos os dias, à mesma hora, debaixo da mesma árvore, durante dois meses. E já não havia nada a fazer. Estavam rendidos um pelo outro. Uma paixão avassaladora que surgiu do nada e que se transformou em tudo. Hoje são felizes. Muito felizes. E todos os anos vão passear naquele parque, e sentam-se naquele banco de jardim, debaixo daquela árvore. Todos os aniversários da relação são festejados assim. Selam a promessa do “para sempre” com um beijo no local em que se conheceram, no local onde se apaixonaram. Hoje o Miguel e o Luís são felizes. Muito felizes. Isto é amor.

  Vamos falar de amor. Amor que é amor. Amor que não importa a sua forma, não importa o género, a religião, a idade. Amor que apenas pede amor em troca. Amor que é amor. Porque amor é amar.

 

  Hoje celebra-se o Dia Internacional de Luta contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia. Tal como a campanha promovida pela CIG diz e muito bem, "Não são direitos LGBTI, são direitos humanos".

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Publicado às 16:57


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