Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]





Vamos falar de amor? #2

por Pequenos Pedaços de Sonho, em 27.05.20

Post 008.png

Vamos falar de amor?

  O Paulo tinha apenas quatro anos quando foi deixado no orfanato. Um lindo rapaz de olhos verdes e cabelo castanho. Um doce de criança, sempre sorridente. Mas a mãe decidiu que não o queria mais e abandonou-o à sua sorte. Durante dez dias o Paulo chorou compulsivamente, perguntando sempre pela mãe. Pobre criança, não conseguia perceber o que lhe estava a acontecer. Quem eram aquelas crianças todas à sua volta, quem eram aquelas mulheres simpáticas, mas sem tempo para ele. Os dias foram passando e a alegria natural dele foi-se desvanecendo. Até o verde dos seus olhos não era igual. Os olhos eram baços, espelhavam tristeza. Ele tornou-se numa criança solitária. Pouco brincava e quase nunca sorria. Até que um dia uma senhora foi visitar o lar, e resolveu brincar com ele. A Sofia tinha 30 anos e o desejo de ser mãe. Encantou-se pelo Paulo e começou a ir visita-lo todas as semanas. Aos poucos foi ganhando a confiança dele e, de vez em quando, conseguia arrancar-lhe um sorriso. Foi longa a espera, mas finalmente a Sofia conseguiu adotar o pequeno Paulo, agora com 7 anos. Quando chegou à sua nova casa, conheceu a Laura, a sua outra mãe. Tinha um quarto inteirinho só para ele, cheio de brinquedos que ele nunca tinha visto. Rasgou um sorriso e, ainda a medo, começou a pintar naquela mesinha amarela que tinham deixado para ele. A Sofia e a Laura estavam radiantes e fizeram de tudo para que o pequeno Paulo se sentisse em casa. Aos poucos foram-se conhecendo e o amor delas por ele foi crescendo cada vez mais. E esse amor devolveu-lhe o brilho ao olhar, o sorriso aos lábios e a alegria própria de uma criança. Hoje são os três muitos felizes. O Paulo vai entrar para o secundário e diz de peito cheio que tem as melhores mães do mundo. Hoje são a família mais unida e a mais feliz. E isto é amor.

  Vamos falar de amor. Amor que é amor. Amor que não importa a sua forma, não importa o género, a religião, a idade. Amor que apenas pede amor em troca. Amor que é amor. Porque amor é amar.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Publicado às 16:28


Receita à Sexta - Beijinhos de Preta

por Pequenos Pedaços de Sonho, em 22.05.20

Beijinhos de preta 2.PNG

  Hoje resolvi começar uma nova rúbrica no meu blogue: a Receita à Sexta.

  Todas as sextas vou partilhar uma das minhas receitas preferidas e as que faço com maior frequência, algumas doces, outras salgadas. 

  Para começar, vou partilhar uma receita doce, super fácil de fazer, que aprendi com a família de uma das minhas tias: Beijinhos de Preta

  A foto foi tirada há umas semanas, na última vez que fiz. Estavam maravilhosos!

  Aqui vai a receita:

 

Ingredientes:

  • 1 tablete de chocolate culinária de 200g;
  • 1 pacote e meio de bolacha Maria;
  • 3 ovos inteiros;
  • 3 colheres de sopa de manteiga;
  • Coco ralado q.b.

 

Preparação:

  Começa-se por derreter o chocolate juntamente com a manteiga (costumo fazê-lo no micro-ondas, tirando a cada 60 segundos para mexer, de forma a não deixar queimar o chocolate).

  Enquanto o chocolate derretido arrefece um pouco, esmaga-se a bolacha Maria o mais possível, de preferência usando a máquina 1 2 3, de forma a que a bolacha fique em pó.

  Ao chocolate derretido, depois de quase frio, juntam-se os ovos inteiros e mexe-se muito bem. Em seguida, vai-se acrescentando a bolacha moída sempre a mexer (se achar a massa muito mole, juntar mais bolacha).

  Quando o preparado estiver em condições para se conseguir manusear com as mãos, fazer bolinhas e passá-las pelo coco ralado. Dispor num prato e pronto a comer na hora.

Dica: Passado umas horinhas fica com melhor sabor.

 

Experimentem...Bom proveito!

Autoria e outros dados (tags, etc)

Publicado às 17:28


Uma questão de sorte

por Pequenos Pedaços de Sonho, em 21.05.20

Post 006.png

"Toda a gente chega onde é esperada"

(José Saramago)

  Sempre acreditei que cada um de nós tem um destino e, de uma maneira ou de outra, todos acabamos por lá chegar. Talvez não faça parte do meu destino viver um grande amor. Eu, uma amante de poesia, amante de grandes histórias de amor, eu que sempre sonhei viver cenas dos meus filmes preferidos. Talvez eu, mesmo sendo uma romântica incurável, não esteja destinada a viver um grande amor digno de um livro de Nicholas Sparks. E tenho que me habituar à ideia.

  Algumas pessoas nascem para ser artistas, outras para serem mães ou pais, outras para amarem, outras nascem (infelizmente) para sofrerem. E outras, tal como eu, nascem para os outros. Acredito que o meu destino seja continuar a lamber as feridas dos outros, limpar-lhes as lágrimas e chorar as minhas sozinha. Talvez seja o meu destino segurar o mundo dos outros, enquanto o meu está em ruínas. Talvez seja assim. Talvez eu tenha nascido para ajudar os outros. Resolver os seus problemas, segurar-lhes as mãos, dar-lhes força e apoio, fazendo-as sentir que não estão sozinhas. E à noite, na solidão do meu quarto, sentir isso mesmo: solidão.

  Claro que existem (infelizmente) milhares de pessoas piores do que eu. Felizmente eu nunca passei fome, nunca sofri de maus-tratos, não vivo num país em guerra. Mas já tive a minha quota-parte de sofrimento. E depois das rasteiras da vida, achava que merecia viver um grande amor. Mas o amor não é uma questão de merecimento. O amor é uma questão de sorte. Sorte em encontrar a pessoa certa, no lugar certo, no tempo certo. Grandes amores se perderam apenas por não se encontrarem no tempo certo.

  Acredito que cada um de nós tenha uma alma gémea, um amor de uma vida. Mas acredito também que muitos já a encontraram e nem deram por isso. Não era o lugar, não era o tempo. E, por força da corrente da vida, foram cada um para seu lado. Vivendo outros amores, mas nunca o grande amor de uma vida. E é por isso que acredito que o amor é uma questão de sorte. Talvez eu já tenha encontrado o amor da minha vida, quem sabe. Mas se o encontrei, deixei-o ir. Talvez por não ser o lugar, talvez por não ser a hora.

  O amor é uma questão de sorte. E eu nunca fui sortuda. 

  (Talvez um dia a sorte possa mudar.)

 

PS: Este texto foi escrito há mais de cinco anos. E...adivinhem?! 

A minha sorte mudou! Heart.png

Autoria e outros dados (tags, etc)

Publicado às 16:23


Já fizeste um dominó?

por Pequenos Pedaços de Sonho, em 20.05.20

Já fizeste um dominó? Já pensaste que a existência humana é tantas vezes assim? Passamos dias, semanas, meses, anos a construir os nossos sonhos e, num breve instante, alguém tropeça neles e tudo se desfaz, numa sucessão de azares impossível de travar. E tudo se desmorona como um castelo de cartas.

Quando o meu dominó começa a cair, junto-lhe mais peças na cauda e aproveito para limpar fantasmas na enxurrada. Ao menos sofro tudo de uma vez, condenso a frustração num par de dias e depois fico a enxaguar a tristeza até ela secar ao sol.

Então, com muita calma, começo a montá-lo outra vez e, aos poucos, vejo-o a crescer sozinho, como se o embate que fez cair as peças tivesse o poder de as levantar.

 Margarida Rebelo Pinto

Autoria e outros dados (tags, etc)

Publicado às 12:03


Metades Iguais

por Pequenos Pedaços de Sonho, em 19.05.20

 

Post 004.png

  Eles são duas metades iguais. Metades da mesma laranja. Metades de uma laranja podre. São os dois confusos, atrapalhados e têm uma tendência para estragar tudo de bom que lhes acontece.

  A vida fê-los esbarrar um no outro diversas vezes. Mas durante muito tempo não souberam agarrar a oportunidade. É como se soubessem que se iam voltar a encontrar. E seguiam vidas separadas. Ele, com o seu terrível medo de compromissos, passava as noites num qualquer bar. Desfilava com as suas novas conquistas. Conquistas que afastava à medida que elas se envolviam. Não queria emoções. Não queria sentimentos. E rodeado de mulheres, era a pessoa mais solitária do mundo. Ela, após várias desilusões, tinha desacreditado no amor. Queria estar sozinha. Queria e pensava que podia estar sozinha. Claro que também teve a companhia noturna de alguns homens. Afinal, a solidão é muito mais insuportável à noite.

  Voltaram a encontrar-se, três anos após a última vez. Falaram, riram, abraçaram-se e beijaram-se. Havia uma espécie de linha que os unia, que os entrelaçava e os obrigava a ficar frente a frente. Não sabiam se era apenas atração ou desejo, mas nunca conseguiam resistir-se. E, como de todas as outras vezes, passaram a noite juntos. Ambos sabiam o que ia acontecer na manhã a seguir. Tomariam o pequeno-almoço juntos e ele ia embora com a promessa perdida de ligar um dia destes. Mas nada disso importava. Tudo aquilo era mais forte do que eles. E que mal tem uma paixão assim?

  A manhã veio e com ela a realidade. Ele acordou mais cedo. Olhou-a com ternura e pensou em partir sem despedidas. Mas o corpo não respondia ao pensamento e voltou a abraça-la. Ela teve vontade de abrir os olhos, mas manteve-se imóvel com a esperança que o tempo parasse. Nenhum dos dois se sentia assim com mais ninguém.

  - E se desta vez eu ficar para almoçar? – disse ele enquanto bebia o café que ela lhe tinha feito.

  - E se ficasses para jantar? – respondeu ela com um sorriso amedrontado.

  - E se…e se desta vez eu ficasse para sempre?

  Abraçaram-se, beijaram-se, prometeram-se. Talvez agora seja o tempo certo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Publicado às 11:39


Matemática dos Sentidos

por Pequenos Pedaços de Sonho, em 18.05.20

 

Post 003.png

  Hoje dediquei-me à matemática. Fiz todas as somas subtraídas das raízes quadradas dos quadrados perfeitos de todos os nossos encontros. E a solução foi a mesma em todas as contas: um número irracional que multiplicado por dois faz todo o sentido. E a divisão destes sentimentos é a consolação de duas almas que, por fim, se encontraram.

  Quando tento racionalizar o que sinto, vejo com clareza que temos um raio de simetria. A escala do meu sorriso quando te vejo é demasiado alta para estimar. Peguei na calculadora e tentei descobrir qual a variação da função dos nossos sentidos. A derivada dos sonhos que podemos construir em conjunto. O nosso denominador comum que pode reduzir a zero o ângulo agudo que nos separa. E ainda que juntos formemos um complicado e difícil algoritmo, carregado de números fatoriais, a fórmula será sempre maior do que zero. A probabilidade da nossa soma subtraída será sempre melhor do que a multiplicação de todos os meus quadrados imperfeitos.

  Porque bem-feitas as contas, um e um são dois. Mas eu e tu podemos transformar-nos em milhares de momentos dignos de contagem.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Publicado às 20:58


Vamos falar de amor?

por Pequenos Pedaços de Sonho, em 17.05.20

Post 002.png

Vamos falar de amor?

  Eles conheceram-se por acaso. O destino quis que os seus olhares se cruzassem naquele fim de tarde de Verão. E foi amor à primeira vista. Sim, foi mesmo. Não resistiram a sorrir e a trocar um olá envergonhado. Sentaram-se no banco de jardim debaixo da árvore mais bonita. Até nisso o destino deu uma mãozinha. A conversa fluiu tão rapidamente, como se se conhecessem há anos. A troca de olhares e sorrisos era constante, e as horas passaram sem darem por isso. E no dia seguinte, à mesma hora, lá estavam eles de novo. E no dia a seguir, e no outro outra vez. Encontram-se todos os dias, à mesma hora, debaixo da mesma árvore, durante dois meses. E já não havia nada a fazer. Estavam rendidos um pelo outro. Uma paixão avassaladora que surgiu do nada e que se transformou em tudo. Hoje são felizes. Muito felizes. E todos os anos vão passear naquele parque, e sentam-se naquele banco de jardim, debaixo daquela árvore. Todos os aniversários da relação são festejados assim. Selam a promessa do “para sempre” com um beijo no local em que se conheceram, no local onde se apaixonaram. Hoje o Miguel e o Luís são felizes. Muito felizes. Isto é amor.

  Vamos falar de amor. Amor que é amor. Amor que não importa a sua forma, não importa o género, a religião, a idade. Amor que apenas pede amor em troca. Amor que é amor. Porque amor é amar.

 

  Hoje celebra-se o Dia Internacional de Luta contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia. Tal como a campanha promovida pela CIG diz e muito bem, "Não são direitos LGBTI, são direitos humanos".

Autoria e outros dados (tags, etc)

Publicado às 16:57


(Re)Começar

por Pequenos Pedaços de Sonho, em 14.05.20

Post 001.png

  Já perdi a conta ao número de vezes que criei e apaguei blogues. Já perdi a conta ao número de vezes que apaguei todas as publicações deste blogue, recomecei do zero, para mais tarde repetir todo o processo. Apagava sempre que alguém desconfiava que o blogue fosse meu, apagava quando já não me identificava com o que tinha escrito, apagava cada vez que achava que tinha que recomeçar do zero. Muitas vezes apagava por vergonha dos textos que escrevia. Por medo que não entendessem que nem sempre escrevo o que sinto, que muitas vezes são devaneios e outras tantas são apenas fruto da minha imaginação, criando personagens e imaginando o que sentiriam em determinadas situações. Apesar de preferir escrever na primeira pessoa, nem sempre o que escrevo é o que sinto. Talvez por isso prefira manter o anonimato.

  Não vinha ao meu blogue há quase cinco anos, cinco anos fantásticos, mas em que a vida se sobrepôs a tudo e o tempo parece que nunca chegava.

  Estou numa altura em que parei para pensar se estou a dedicar tempo a todos os meus sonhos. Este tempo de quarentena pôs tudo em perspetiva e a vontade de escrever voltou e voltou em força, cheia de ideias e projetos.

  Para não variar, apaguei todas as publicações antigas, limpei o blogue e dei-lhe uma nova imagem. Mas desta vez será diferente. Apaguei tudo para recomeçar numa página em branco sem que desta vez tenha fim. Não sei se a vida me vai permitir alimentar o blogue durante anos, ou sequer durante meses. A vida é uma caixinha de surpresas e nunca podemos planear de facto o futuro. Mas uma coisa tenho a certeza, não vou voltar a apagar mais nada.

  Vou escrever e alimentar o blogue enquanto isso ainda me der prazer. Vou publicar textos meus, frases e textos de outros autores, receitas, sugestões, pensamentos, sentimentos… Vou perseguir este pequeno sonho enquanto ele me alimentar a alma.

  Hoje marca o dia do (re)começo.

  Bem-vindos ao meu Blogue, ao meu cantinho, ao meu Pequeno Pedaço de Sonho.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Publicado às 10:31


Mais sobre mim

foto do autor


Sigam-me


Pesquisar

  Pesquisar no Blog



Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D